domingo, 3 de setembro de 2017

Centros Qualifica - próximo desafio: A mobilização!

A 28 de setembro de 2014 e com a coincidência temporal de se assinalar os 15 anos do início de um caminho que nos trouxe até aqui (criação da ANEFA - primeiro organismo púbico com a missão explicita de promover a ligação e a comunicação entre as áreas da Educação e do Trabalho), publicou-se o primeiro post neste blog criado com o objetivo de promover um espaço de partilha e de reflexão entre todos os actores que coabitam nos dois mundos da Educação e do Emprego.

Com mais ou menos frequência tentou-se incentivar e promover a partilha de informação, a reflexão sobre possíveis soluções para as dificuldades e de alguma forma a mobilização para os temas fundamentais da área da Qualificação de Jovens e Adultos. Há um ano publicou-se o último post que abordava a questão dos Jovens NEET. Este post foi, no entanto, publicado quase em simultâneo com o post sobre a publicação da portaria que regula a criação e o regime de organização e funcionamento dos Centros Qualifica. Entre outras razões, a necessidade de se realizar um trabalho sempre sensível de restauração e criação de uma rede composta por muitas instituições que representam a diversidade do nosso Sistema Nacional de Qualificações, bem como a necessidade de criar um conjunto de instrumentos técnicos de elevada complexidade conceptual (como por exemplo o Sistema Nacional de Créditos da Educação e Formação e o Passaporte Qualifica) a que se associou a sempre sensível tarefa de apropriação adequada das novas orientações políticas para as Áreas da Educação e do Emprego, em particular das inerentes ao lançamento do Programa Qualifica, levaram a que durante este ano não se tivesse aqui publicado nenhum post.

Em agosto deste ano cumpriu-se com sucesso uma das metas de suporte do programa Qualifica e que consistia em alargar para 300 Centros a rede de Centros Qualifica até final do ano de 2017. Durante o ano que passou foram também criados, como já referido, o Sistema Nacional de Créditos para Educação e Formação, bem como o Passaporte Qualifica. Assim, estão agora reunidas as condições para retomarmos a partilha e reflexão sobre as várias iniciativas que vão ocorrendo nesta Área que é tão estratégica para o desenvolvimento de Portugal.



Retomemos então a dinamização deste espaço, abordando a conclusão da criação da rede de Centros Qualifica e da sua extensão para os 300 Centros em Portugal Continental. Ao alcançarmos esta meta, com o anúncio dos 42 novos Centros que se juntam aos 261 já existentes, compondo, como referido, agora uma rede de 300 Centros em Portugal Continental, acrescida de 3 Centros na Região Autónoma da Madeira, conseguiu-se antecipar em 4 meses um importante objetivo que visa dotar o nosso país de uma estrutura de Centros mais eficaz no alcançar da missão de diminuirmos o elevado déficit no nível de Qualificação da nossa população adulta.

O cumprimento deste objetivo cria um importante alicerce para o alcançar dos outros objetivos definidos no Programa Qualifica: garantir que 50% da população adulta ativa concluí o ensino secundário (encarado hoje como o patamar mínimo de qualificação) e envolver até 202 pelo menos 15% dos adultos em atividades de aprendizagem ao longo da vida.

Tratou-se de um trabalho muito exigente pois a criação de 72 novos Centros Qualifica, para reforçar a rede de 228 Centros que transitaram da rede CQEP, foi efetuada com um processo concursal que pretendia garantir a minimização de assimetrias na cobertura territorial bem como a maximização de tipologias de soluções proporcionadas à população adulta, o que exigiu um minucioso trabalho de análise de seleção que envolveu inclusivamente entrevistas presenciais aos proponentes das várias candidaturas. Mas, apesar do enorme esforço que o cumprimento desta meta implicou, é necessário ter a consciência de que o mais difícil ainda está por fazer. O trabalho que temos pela frente passa agora pela capacidade de mobilização dos adultos para a qualificação, o que está muito relacionado com a motivação intrínseca e extrínseca dos adultos para a aprendizagem. 

A mobilização para a qualificação é inerente ao despertar no adulto desse interesse, não havendo uma receita única para se ser bem-sucedido. Em todo o caso, quase todos os estudos que se conhecem sobre motivação dos adultos para a aprendizagem focam vários aspetos como o desenvolvimento da perceção dos ganhos resultantes das aprendizagens, a necessidade de serem os próprios a dirigir os seus processos de aprendizagem, a relevância das experiências já vividas e das competências adquiridas, bem como a contextualização e sentido das aprendizagens para o individuo. Todos estes conceitos acabam por estar subjacentes à metodologia que foi desenhada para o trabalho dos Centros, pelo que, existindo interesse, mobilização e condições, acredita-se estarem reunidas as condições para que a qualificação surja como o resultado final de todo este caminho.

Temos todos a consciência plena de que as condições materiais disponíveis não são as que já existiram outrora. As dificuldades e desafios que o país atravessa continuam a ser muito grandes. Tal facto não nos deve desanimar. Muito pelo contrário. Deve motivar-nos ainda mais para sermos criativos e de forma conjunta procurarmos estratégias inteligentes que permitam alcançar o objetivo. Existem muitas experiências de sucesso que já foram aplicadas no passado (Centros Novas Oportunidades, Rede CQEP e já na rede de Centros Qualifica) que conseguiram, e têm conseguido, ultrapassar as dificuldades que o atual contexto apresenta para o desafio da mobilização. Neste âmbito, são particularmente importantes ações de estabelecimento de parcerias e protocolos com todo o tipo de empresas e instituições locais bem como a criação e dinamização permanente de redes locais que permitam a complementaridade de valências e a construção de uma comunicação local, eficaz, junto da população adulta.

Cabe agora aos Centros encontrar, territorialmente, as melhores linhas de ação para a captação dos seus públicos, atuando em rede com outras entidades inseridas localmente, e congregando esforços sem perderem de vista o seu propósito. As metas que cada Centro se propôs alcançar vão permitir perceber a que distância se encontram dos objetivos que escolheram contratualizar. No fundo, são métricas que ajudarão a avaliar estratégias e a redefini-las, se for caso disso. Se estivermos no bom caminho, permitirão envolver em processos de qualificação, neste ano de 2017, mais de 120 mil adultos.

Temos de ter bem presente de que mesmo este resultado não será um fim em sim mesmo. Apenas um passo intermédio, para em 2020 podermos dizer “objetivo cumprido”, vendo daí surgir benefícios concretos: para quem se qualificou, para as comunidades, para as empresas, para o País. Afinal, aquilo que é verdadeiramente importante.

Sem comentários:

Enviar um comentário