sábado, 3 de setembro de 2016

A insustentável realidade NEET

Este ano, o Dia Internacional de Juventude, celebrado a 12 de agosto, trouxe a público um problema a que não podemos ser alheios: quase um em cada seis jovens portugueses, entre os 20 e os 24 anos, não se encontra a trabalhar ou a estudar. O Eurostar estima que estes jovens correspondem a 17,5% do total de indivíduos na mesma idade, sendo esta proporção acima da que era verificada, no nosso País, há 10 anos atrás.



Esta realidade não é exclusiva de Portugal (a média europeia atual é de 17,3%), razão pela qual foi criada uma medida, de âmbito europeu, apelidada de “Garantia para a Juventude”. 

Esta medida estipulou como compromisso encaminhar no prazo de 4 meses após saída da escola ou do mercado de trabalho, os “jovens NEET” (neither in employment nor in education or training) para percursos de educação e formação, empregos ou estágios.

Trata-se efetivamente de um compromisso forte mas que só se consegue resolver de forma gradual porque não é possível fazê-lo de uma forma sistemática e simultaneamente instantânea por múltiplos motivos: os empregos ou as formações específicas para estes casos não abundam; a maioria dos casos resulta de situações de abandono escolar precoce, pelo que os jovens não dispõem das competências tidas como elementares para o ingresso no mercado de trabalho; os empregos são cada vez mais exigentes do ponto de vista técnico e da evidenciação de competências transversais; e o regresso à formação pressupõe uma atitude pró-ativa da parte destes jovens (o que nem sempre sucede). Além disso, está já provado que quanto mais se avança na idade, menor é a probabilidade de se aceitar participar em atividades continuadas de aprendizagem ao longo da vida.

Em todo o caso, não podem ser esquecidos, nem poderá haver negligência da nossa parte nesta matéria, pois estes são jovens em verdadeiro risco de exclusão social e quanto mais tarde se atuar maior será o problema, não só para os próprios e para as suas famílias, mas também para o nosso País.

E a atuação tem de ser feita em dois domínios: na resolução das situações (mediante o encaminhamento já referido, para o qual se espera que a rede de Centros Qualifica possa dar um bom contributo) e na sua prevenção. 

Numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida, esta prevenção implica que se atue assim que se detetam os primeiros sinais que evidenciem tendência para o abandono precoce da escolaridade. Em muitos casos, isso acontece na adolescência com a escolha de um curso de nível secundário desadequado ao perfil e às expetativas individuais. Também aqui é fundamental o papel que a orientação poderá ter, ajudando cada jovem a definir um caminho que se revele bem-sucedido a curto, médio e longo prazo. Este caminho não precisa de ser sequencial, pode implicar retrocessos, mas não pode ser interrompido, nesta ou noutra fase da vida.

Se queremos ter uma verdadeira aprendizagem ao longo da vida, também vamos precisar de ter uma efetiva orientação ao longo da vida e não apenas nalgumas fases ou etapas mais críticas da vida e já na sequência de fracassos e insucessos reiterados.

Se aos 20 anos se é NEET e nada sucede, imagine o que acontecerá aos 40 e aos 60 anos? Ser NEET, mais do que um epíteto, deverá ser um derradeiro sinal de alerta e de urgência na procura de uma solução.

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