sábado, 5 de março de 2016

As ameaças da "Indústria 4.0"

O último Fórum Económico Mundial, reunido em Davos, em janeiro, assombrou todos com uma revelação alarmante: até 2020, a nova fase industrial - apelidada de "Indústria 4.0" - vai provocar a eliminação de cinco milhões de empregos. Como consequência, aumentarão as desigualdades sociais e inevitavelmente o fosso entre ricos e pobres.

Afinal, a "Indústria 4.0" que poderia significar o catapultar para uma nova etapa de oportunidades e de melhoria das condições de vida, através da qual o ser humano seria dispensado de exercer tarefas mais rotineiras e pesadas, dando lugar a sistemas ciber-físicos de produção que funcionariam como elos de uma rede social, a comunicar entre si e a desempenhar tarefas autonomamente em resultado dessa comunicação, anuncia também um enorme cataclismo: os que têm menos qualificações serão banidos do mercado de trabalho, estarão em situação de maior vulnerabilidade social e em sério risco de exclusão social. 



O que fazer para atenuar os efeitos desta 4.ª revolução industrial que já começou e não vai parar?

A resposta parece óbvia. Mais do que nunca é preciso garantir que as qualificações que são hoje geradas pelos sistemas de educação e formação respondam às necessidades deste mercado de trabalho de amanhã. Essa preocupação tem estado presente, de forma mais ou menos sistematizada, nas políticas de educação e formação da última década. Mas, muito para além disso, é preciso despertar as pessoas para a necessidade de se qualificarem e de o fazerem de forma continuada ao longo das suas vidas. E é fundamental que a aposta política e de investimento na educação e formação procure de modo contínuo e permanente, e de forma séria, que ninguém fique para trás.
Mas como fazer isto?
Antes de mais, importa criar mecanismos que sejam capazes de antecipar, com segurança e fiabilidade, quais serão as competências mais requeridas no futuro. Depois, é preciso redesenhar e criar novos currículos, adequando-os a essas competências. Em paralelo, é preciso mobilizar, com eficácia, para a educação e formação os menos qualificados e integrar todos em trajetórias de aprendizagem efetivas ao longo da vida.

E como fazer tudo isto num período temporal tão curto?

Os especialistas em gestão da mudança falam na necessidade de se criar um sentido de urgência e de envolver, ao máximo, todos os stakeholders, monitorizando as etapas sucessivas que conduzam ao fim pretendido.
Curiosamente 2020, o ano em que os especialistas afirmam que o cataclismo estará no seu auge, é também o ano em que a Europa deverá ter atingido as metas que estipulou em matéria de crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Logo, tudo o que se possa estar a fazer para se atingir essas metas tem agora uma noção de dificuldade acrescida. Mas, também todos sabemos que, em regra, é das maiores ameaças que surgem as maiores oportunidades.

Portugal tem a vantagem de já ter começado a criar os alicerces para o trabalho de ajuste continuado das qualificações ao mercado de trabalho. Fê-lo, até aqui, através do Sistema de Antecipação de Necessidades de Qualificações, iniciado em fins 2014, pela Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional.

O caminho ainda agora começou mas é urgente que se acelere o passo e ainda que se sensibilize os empresários para este futuro inadiável, obrigando-os a refletirem sobre o perfil de competências que entendem necessário a médio e curto prazo, à luz desta nova realidade. Afinal, é a partir dessa reflexão que se tem procurado redesenhar as qualificações. E nunca como hoje foi tão critica a necessidades de se apostar profundamente numa aprendizagem ao longo dos vários instantes da vida e em todos os seus contextos.

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