domingo, 21 de dezembro de 2014

"Olá, eu sou o e-TEQ"


Olá! 

Eu sou o e-TEQ e vou ajudar-te na descoberta das profissões, dando-te indicação do percurso escolar que terás de efetuar para lá chegares. 

Ingressei no mundo do trabalho, depois de ter concluído um curso de ensino profissional (Cursos de Dupla Certificação) que me dotou de múltiplas competências para poder ser hoje um técnico qualificado. 

Atendendo à experiência profissional que já detenho, sei e reconheço que a qualificação faz toda a diferença. 

Desafio-te a conheceres o que se faz em 10 profissões consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país:


video
Técnico de Produção Agropecuária
e as outras nos links,
Para além destas 10 profissões, o ensino profissional prepara-te para muitas outras (mais de 100!). 

Vem descobri-las: 
  • no site do Catálogo Nacional de Qualificações (informação sobre os perfis profissionais de nível 4 proporcionados essencialmente por cursos de aprendizagem e cursos vocacionais);

Apresento-te ainda a visão dos empresários sobre o ensino profissional e convido-te a descobrires algumas características e requisitos valorizados pelas empresas no momento da contratação de novos técnicos nos seguintes setores de atividade:

Agricultura, agroalimentar, florestal e do mar 

Indústria, Comércio e Serviços 

Turismo

Energia
  • Rui MartinsMafirol - Indústria de Refrigeração

Infraestruturas e Transportes

Ciências Informáticas


Até já e um grande abraço!


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A importância do Ensino Profissional

Jornadas de Educação do Conselho Nacional de Juventude


No passado dia 22 de novembro participámos nas Jornadas da Educação do Conselho Nacional de Juventude. No final das jornadas fomos solicitados para enviar ao Conselho a nossa visão sobre o Ensino e Formação Profissional para os Jovens. É esse contributo que partilhamos aqui através deste post.


Ensino Profissional - Um ensino coberto de vantagens

Quando foi publicada a orgânica da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP) a sua designação trazia uma particularidade: acrescentava, face à entidade que a antecedeu - a Agência Nacional para a Qualificação (ANQ) - a expressão “ensino profissional”. Para muitos, este acrescento na designação foi considerado uma redundância, já que o ensino profissional é, ele próprio, um dos caminhos que permite chegar à qualificação. Esta ideia ficou reforçada pelo facto da ANQEP ter exatamente a mesma missão da ANQ: “coordenar a execução das políticas de educação e formação profissional de jovens e adultos e assegurar o desenvolvimento e a gestão do sistema de reconhecimento, validação e certificação de competências”. Na equipa da ANQ, que transitou para a ANQEP, considerámos esta situação apenas como um sinal da vontade política de, entre todas as modalidades que levam à qualificação, reforçar a aposta no Ensino Profissional.


Conselho Nacional de Juventude
Na aceção utilizada e defendida pela ANQEP, o ensino profissional corresponde a todas as formações que conferem aos jovens uma dupla certificação - escolar e profissional -, estando presente na esmagadora maioria das escolas secundárias (públicas, privadas, profissionais), centros de formação, escolas do Turismo de Portugal e escolas artísticas especializada, abrangendo mais de 100 cursos em áreas de educação e formação distintas.

Nesse sentido, o Ensino Profissional representa, em si mesmo, a integração da educação e da formação profissional num único sistema, traduzida, de forma evidente, na incorporação de momentos próprios de formação em contexto de trabalho e numa forte ligação às empresas (não só devido a estes momentos, mas também pelo facto de contar com o contributo das empresas para a sua estruturação curricular e organizativa). 

Não obstante este ensino ser ainda percepcionado publicamente de modo significativo como uma segunda escolha, os números revelam-nos que já abrange 42,8% dos alunos matriculados no sistema de educação e formação, encontrando-se a maior fatia desta percentagem na modalidade dos cursos profissionais, seguidos (embora com alguma distância) pelos cursos de aprendizagem, logo secundados pelos cursos de educação e formação e, por fim, pelos cursos do ensino artístico especializado. 

Mas, mais do que a sua expressão numérica, a relevância deste ensino prende-se com o facto de poder ser uma excelente ferramenta, se bem utilizado, no combate ao atual flagelo do desemprego jovem, assunto que tem preocupado não só as instâncias políticas nacionais mas também as europeias, a ponto de terem sido criadas medidas específicas, como por exemplo a “Garantia para a Juventude” (que incita os Estados-Membros a darem resposta, num curto espaço de tempo, aos jovens que não estudam ou não trabalham, encaminhando-os para uma oferta de emprego ou de formação).

Na análise que tem sido feita a este problema do desemprego jovem, encontramos o que caracterizamos por paradoxos que não podem ser esquecidos se quisermos, de facto, encontrar soluções eficazes. 

Os paradoxos do desemprego 

1º paradoxo: "Desajuste entre a oferta e procura"- tomando por referência os dados do Eurostat de abril de 2013, temos 26,5 milhões de desempregados, dos quais 19,3 na zona Euro, e paradoxalmente a existência de 1,7 milhões de vagas de empregos por preencher (dados do Observatório da Oferta de Emprego, de junho de 2013);

2º paradoxo: "Os mais bem preparados são os que encontram mais dificuldades" - todos temos a noção de que a última geração é a mais qualificada de todos os tempos. De forma geral os jovens adultos são muitíssimo mais qualificados do que as gerações anteriores. No entanto, é nesta geração que o emprego assume proporções verdadeiramente alarmantes. Um quarto dos jovens da União Europeia encontra-se desempregado e, se recuarmos um pouco nos anos, verificamos que este problema é já sistémico: em 11 dos últimos 20 anos, a percentagem de desemprego jovem foi superior ou igual a 20%, tal como revela o estudo da consultora McKinsey, de 2013, intitulado “Education to Employment: Getting Europe’s Youth into Work”;

3º paradoxo: "Sim preparamos bem. Não, não preparam" - o inquérito realizado pela consultora McKinsey na Europa, entre agosto e setembro de 2012, revelou que apenas 35% dos empregadores considerou que os jovens se encontravam preparados para enfrentar as situações do mercado de trabalho e que apenas 38% dos jovens consideraram estar aptos para o exercício da profissão para a qual se formaram. No entanto, quando questionados os operadores de educação e formação, 74% consideravam que os jovens que preparam estão em condições de ingressar no setor de atividade para o qual tiveram formação. 

Ainda ao nível das perceções, estas voltam a ser divergentes no que respeita ao domínio das competências transversais (sociais e relacionais) entre jovens e empregadores. A este respeito, um estudo recente, intitulado "Faz-te ao mercado" divulgou a "existência de uma “sobrevalorização” generalizada por parte dos jovens (que na verdade pode ser uma subvalorização por parte dos empregadores), que consideraram ter um elevado grau de desenvolvimento das competências pessoais e sociais em estudo, chocando com a perceção de que os empregadores têm de que esse desenvolvimento é apenas moderado".

Este quarto e último paradoxo dá-nos conta das discrepâncias ao nível da importância das competências transversais valorizadas pelo mercado de trabalho. De referir que estas competências estão hoje identificadas como sendo das mais relevantes para a manutenção da condição de empregabilidade. A este respeito, por exemplo, o estudo “Faz-te ao mercado”, de 2014, dá-nos conta que as empresas valorizam bastante as competências associadas ao saber trabalhar em equipa e a resiliência. Já os jovens relegam-nas para um segundo plano.

Jornadas da Educação do Conselho Nacional de Juventude
As vantagens do Ensino Profissional

Estes paradoxos são, no fundo, o resultado da existência, não só em Portugal como por toda a Europa, de um desajuste entre as qualificações proporcionadas pelos sistemas de educação e formação e as competências requeridas pelo mercado de trabalho, o que pressupõe que todos os Estados-Membros intensifiquem uma aproximação entre estes dois domínios (educação/formação e emprego). E é aqui, na interseção destes domínios, que o Ensino Profissional (entendido como qualquer modalidade que confere uma dupla certificação – escolar e profissional) adquire destaque.

  • Resposta ao mercado de trabalho. Devido às suas especificidades, inerentes ao facto de conferir esta dupla certificação, este ensino está melhor posicionado para responder de modo adequado ao que o mercado de trabalho procura, potenciando, por essa via, a empregabilidade mais imediata ou expectável a curto prazo.  Efetivamente, de acordo com dados divulgados pelo Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional (CEDEFOP), “até 2025 a proporção da força de trabalho com um nível de qualificações mais elevado deverá aumentar para 39%, face aos 30% em 2010 e aos 23% em 2000. (…) Em contrapartida, a proporção da força de trabalho com um baixo nível de qualificações deverá diminuir drasticamente para 14% em 2025, face aos 24% em 2010 e aos 31% em 2000”
  • Apoio à economia nacional. Para além de conferir uma qualificação mais ajustada ao mundo empresarial, o Ensino Profissional tem ainda a grande vantagem de permitir dar resposta, em termos estratégicos, ao desenvolvimento da economia nacional em áreas já identificadas como prioritárias, como as associadas ao setor agrícola, à indústria, comércio e serviços, ao turismo, à energia e às infraestruturas e transportes. 
  • Evolução das empresas. Do ponto de vista das empresas, apresenta ainda como principais mais-valias o facto de poder favorecer a capacidade inovadora e competitiva das mesmas, contribuir para a diminuição do tempo e esforço de aprendizagem que as empresas têm de despender com a contratação de novos técnicos (considerando que estas modalidades de educação e formação integram uma componente relevante desenvolvida nas empresas); aumentar a estabilidade nos pontos de trabalho e garantir níveis mais baixos de absentismo por parte dos trabalhadores.
  • Retornos positivos para os alunos/formandos. Do ponto de vista dos alunos são também facilmente identificáveis inúmeras vantagens tais como a redução dos tempos de espera na obtenção do 1º emprego ou na transição da situação de desempregado para empregado; e a expetativa de obtenção de um nível salarial mais elevado, pois os estudos demonstram que o Ensino Profissional permite distinções salariais, a médio/longo prazo, face a outros funcionários, com o mesmo tempo de serviço e nível de escolaridade.
Acresce ainda referir a motivação para o prosseguimento de estudos, algo bastante relevante na atual sociedade do conhecimento, em que aprendizagem acontece ao longo da vida, pressupondo uma predisposição constante para a mesma. 

O prosseguimento dos estudos

Apesar de o ensino secundário se repartir entre os cursos orientados para o prosseguimento de estudos (cursos científico humanísticos) e os cursos de preparação para uma profissão (cursos de Ensino Profissional), pelos motivos acima expostos, estes últimos são também, e cada vez mais, percursos intermédios de acesso a níveis subsequentes de qualificação. Se nos detivermos nos resultados apurados pelas estatísticas, 40% dos estudantes do ensino secundário profissionalizante expressa interesse em prosseguir estudos, o que nos leva a crer que a opção por estes cursos, no final do 9º ano, está muito relacionado com a atratividade da sua componente mais prática e não só com a expetativa de vida profissional, após o 12º ano. 

Não seria, por conseguinte, correto, ou até coerente, que o sistema de ensino não possibilitasse a estes jovens o acesso a níveis mais elevados de qualificação. 

Efetivamente, ao concluírem o 12º ano de escolaridade, os jovens provenientes do Ensino Profissional podem aceder ao ensino superior (submetendo-se à realização dos exames nacionais) ou optar por outros modelos de formação, situados atualmente no nível 5 do Quadro Nacional de Qualificações: Cursos de Especialização Tecnológica (CET) ou Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP). Estes últimos (em vigor, pela primeira vez, no presente ano letivo) possibilitam o acesso ao ensino superior mediante um concurso especial, são caracterizados por respostas de especialização de cariz regional, e dão a possibilidade de concretização de um novo percurso formativo de um modo bastante flexível.

Por tudo isto, existem cada vez menos razões para que se olhe para o Ensino Profissional como uma segunda opção, ao dispor dos que fracassaram anteriormente no ensino secundário mais tradicional. O Ensino Profissional encerra em si um valor adicional que, inclusive, é visível no nível de qualificação que confere: nível 4 do Quadro Nacional de Qualificações. Um nível acima dos cursos vocacionados exclusivamente para o prosseguimento de estudos.